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Abelhas, coisa mais linda, mais cheia de graça. A polinização é como uma mágica!

​ Luciana Neder, Entrevista| Vistas: 93

                     Coluna É Só Sucesso/Jornal O Vigilante/ Entrevista/Colunista social.  Agora aqui no site!

Editorial da coluna: A biodiversidade na terra acontece imprescindivelmente com a ação das abelhas. Elas habitam a terra a mais de 30 milhões de anos. O quanto ainda se tem para aprender. Entre elas, há as abelhas rainhas, que vivem em sociedades super organizadas. A natureza é tão perfeita que há também os zangões, que morrem após o acasalamento e as fiéis abelhas operárias. Trabalham sem parar, com divisão de tarefas e total harmonia, para o bem estar geral da colônia. E por falar em trabalhar sem parar, o convidado de hoje é o leopoldinense, sr. Feliciano José Barbosa, 82 anos. Apicultor, forte, a face corada, ele tem uma disposição de fazer inveja. Ele fala pausadamente e com riqueza de detalhes, sobretudo, com sabedoria, o que vive com as abelhas. Ser humano admirável pela sua história de vida, sempre interessado em saber, conhecer e buscar as fontes que o levam ao aperfeiçoamento. Ele é criativo e dotado de habilidades. Em sua casa, a entrevista aconteceu, com uma reunião entre quatro pessoas: eu, ele, sua esposa Otávia e seu mais novo amigo e seguidor, Hugo. Ele palestrou. Por mim, eu ficaria lá por mais de três horas, gentilmente interrompidas para degustações do mel com do iogurte caseiro, além de provinhas de doces feitos por ele. Tudo feito com técnica. Esse querido é uma “referência” em Leopoldina MG, quando o assunto é mel. Dona Otávia, sua esposa, logo se manifestou: o telefone e a campainha tocam o dia inteiro, atrás de mel e própolis do Feliciano. Nunca vendeu no comércio e sempre vende tudo o que ainda produz.

Foto: Sr. Feliciano com uma das gavetas da caixa de abelhas. Reparem que ele está só com uma rede de proteção somente no rosto, com o chapéu. Ele manuseia a gaveta com as mãos livres e o corpo também, praticamente. Demais isso!

 

Primeira pergunta fundamental da entrevista:

LF – Como tudo começou?
F – Eu era vendedor, dirigia um caminhão e não gostava nada da vida que levava. Comer em qualquer lugar e vida de estrada não me fazia feliz. Até que um dia, eu ouvi a voz do meu coração e decidi me arriscar como apicultor, sem nenhum conhecimento. Decidi também me casar. Seguindo minha intuição, que eu chamo de voz de Deus,  eu fui adiante, formando minha família de três filhos e buscando conhecimento.

Foto: Sr. Feliciano abrindo a caixa, detalhe: sem nenhuma proteção, ou seja… muita habilidade. Sempre fico impressionada de ver essas fotos.

 

 

LF – Em 21 de junho, comemora-se o Dia do Mel, delicioso fruto de nossas polinizadoras favoritas. Como o senhor define o mel?
F – O mel é produzido a partir do néctar das flores, que as abelhas recolhem, transformam e combinam com substâncias específicas próprias, que armazenam e deixam madurar nos favos das colmeias. A qualidade do mel está diretamente relacionada à flor. A composição do mel é influenciada pelo solo, pelo clima e pela fonte do néctar. Esses fatores alteram a cor, a acidez, o aroma, a umidade, o sabor, a viscosidade e até o tempo que ele demora para cristalizar. E não para por aí: o mel é o único alimento que inclui todas as substâncias necessárias para a sustentação da vida, como vitaminas, minerais, água e enzimas além de conter um importante antioxidante associado ao bom funcionamento cerebral.

OBS: O pólen de flores contaminadas por inseticidas, produz um mel de baixa qualidade, ou seja, um mel que é quase um veneno.

Dica: Mel de garrafa de vidro tampado com sabugo de milho ou cortiça é inapropriado, ou seja, está contaminado. Mel deve estar em garrafa de plástico de boa qualidade, PET, e deve ser fechado hermeticamente. Não guardar em geladeira e não expor ao sol.

Foto: Sr Feliciano em sua obra: a caixa das abelhas.

 

 

LF – Sem abelha, sem alimento?
F – Sim. Se não chove, não há flor. Se não há flor, não há abelha. Se não há abelha, não há polinização. Se não há polinização, não há semente. Se não há semente, não há alimento.

 

                                 É O TRANSPORTE DOS POLENS DO ESTAME DE UMA FLOR ATÉ                                                                A PARTE FEMININA DE OUTRA FLOR, ORIGINANDO UMA NOVA FLOR.                                                                       

 

LF – As abelhas dançam?
F – Sim, elas dançam para informarem a distância e a localização exata de uma fonte de alimento. Há 3 tipos de danças: dança em círculo, dança do requebrado e dança da foice. A dança em círculo, informa sobre fontes de alimento que estão a menos de 100 metros de distância da colmeia. A dança do requebrado informa sobre fontes de alimentos, que estão a mais de 100 metros de distância. Nessa dança, a abelha descreve a direção e a distância da fonte. A dança da foice, é considerada uma dança de transição entre a dança em círculo e a dança do requebrado, utilizada quando o alimento se encontra a até cem metros da colmeia.

Detalhe: A abelha interrompe sua dança, a curtos intervalos e oferece uma gota do néctar que coletou, informando o odor do néctar e da flor, para que as demais operárias partam em busca desta fonte. O recrutamento aumenta de acordo com a vivacidade e a duração da dança. Isso é incrível. Dançar é um meio de comunicação!

 

LF – Sr. Feliciano dança?
F – Muito! Adoro dançar bolero.

LF – Uma frase.
F – “Eu não tenho uma frase que me inspira. Eu trabalho aperfeiçoando. Busco conhecimento sempre. Sei que ainda tenho muito a aprender.“

LF – Um sonho.
F – Minha vida é tão corrida, que não tenho sonhos. Sei que na vida nós juntamos coisas e agora, aos 82 anos, estou distribuindo as coisas que juntei: o conhecimento, principalmente sobre a vida das abelhas.

 

                                                                                     Meu parecer:

O diferencial do Sr. Feliciano, é que ele é ao contrário de quem trabalha de modo arcaico por comodismo. Estudar e entender do assunto é fundamental. Ele tem o dom de ensinar aos 82 anos embora esteja na ativa. Bem faz seu seguidor, o engenheiro Hugo, que além de estar aprendendo a arte da apicultura moderna, está lendo e traduzindo um livro de apicultura russa, escrito em espanhol, junto com o seu mestre, que já traduziu livros de francês e inglês, para adquirir mais conhecimentos sobre as abelhas. Obrigada  por conceder a entrevista tão gentilmente!

 

                                                                           Uma mensagem para o mundo:

É O MOMENTO DE VOLTARMOS O OLHAR PARA A NATUREZA E TÊ-LA COMO NOSSA PARCEIRA. O MUNDO NÃO SERÁ SUSTENTÁVEL SE NÃO CUIDARMOS DELE COM BOAS PRÁTICAS DE CONVIVÊNCIA SAUDÁVEL.

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