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​ Luciana Neder, Colunista| Vistas: 73

Tempo… tempo… tempo. No inverno ficamos mais introspectivos. Tempo de costurar o que necessita de restauro e de separar o que pode ser doado. Tempo que somos mais solidários com quem não tem uma casa quentinha, sopa e agasalho. Tempo que até os animais recolhem-se, ursos diminuem o seu processo metabólico e hibernam, enquanto pássaros voam para regiões mais quentes. Na natureza, o tempo sempre nos prepara maravilhas. Se eu fosse uma árvore eu seria um ipê e não saberia qual cor escolher entre o amarelo, rosa ou branco. Mas tendo que escolher, seria o ipê rosa, a cor do amor. Lembrei do meu primeiro artigo a um jornal na época de faculdade e acabo de me dar conta da minha versão colunista desde então. Nele falei de amor, baseado no livro de Brian Weiss, cujo título é “Só o amor é real.” Ele disse: o amor sobrevive às condições mais adversas, ao solo mais gelado… eu nunca me esqueço disso e olha quantos anos já tem. Embora muitos jogam o amor para o alto nas primeiras adversidades, eu concordo plenamente com Brian. E tem mais: vida sem amor é um grito parado no ar. Digo isso de uma maneira em geral. Existem tantas formas de amor e de amar… Interessante é o que acontece ao autêntico ipê: árvore alta, casca grossa, bem copada e de madeira de lei resistente. No período da floração ele apresenta uma peculiaridade: fica totalmente desprovido de folhas e dá lugar ás flores. Escreveu Thoreau, filósofo, poeta e historiador que amava a natureza, especialmente os ipês, que Deus perguntou ás arvores do mundo: quem quer colorir o inverno? Ninguém queria. Todas preferiam a primavera. Até que uma árvore, humildemente se candidatou. Deus disse: corajosa você! Qual seu nome? Me chamo Ipê. Alegro-me em fazer coisas ao contrário. As outras árvores fazem o que é normal e abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está para chegar, com seu calor e chuvas. As árvores ficaram espantadas com o ipê e Deus disse: você fará amor justo quando o inverno chegar e sua copa será florida e de muitas cores. E assim é o ipê, triunfante. E diante dessa atmosfera romântica, das obras de Deus sobre os seres humanos, os animais e a natureza, os movimentos do ipê seriam compostos por Vivaldi, Mozart e o coral de Bach. Pois a vida e o amor seguem juntos enquanto corações pulsarem no peito e estão presentes no nosso dia a dia, até numa flor que desabrocha. Um convite: visite ipês. Quem sabe um dos caminhos da arte de ser feliz está em florir no inverno.

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